"A decadente F1" ou "Novidades a caminho"

Os leitores em geral têm se mostrado revoltados com a falta de posts aqui no blog e não lhes tiro a razão. Entendo e sei como é chato quando uma revista/jornal/blog/site que acompanhamos simplesmente para de ser publicado ou atualizado. Nos sentimos atingidos, como se nos tirassem algo a que nós é muito caro. Compreendo. Mas [...]
 

Os leitores em geral têm se mostrado revoltados com a falta de posts aqui no blog e não lhes tiro a razão. Entendo e sei como é chato quando uma revista/jornal/blog/site que acompanhamos simplesmente para de ser publicado ou atualizado. Nos sentimos atingidos, como se nos tirassem algo a que nós é muito caro. Compreendo.

Mas o fato é que este blog, desde o início – mesmo na época das charges – pautou-se exclusivamente pela Fórmula 1. É um blog pessoal, sempre foi, mas sempre fiz questão de manter a pauta restrita à categoria que sempre vi como a melhor e de maior representatividade no automobilismo mundial. A linha de corte também serviu para facilitar o trabalho. Como a maioria que me acompanha sabe, tenho outras atividades profissionais e o blog sempre foi uma válvula de escape, feito com dedicação em meu tempo livre. Então não dá para querer falar de todas as categorias, o que demandaria muito tempo e tornaria o blog apenas um noticioso superficial. E, dessa maneira, não valeria a pena manter.

O problema é que a fórmula dá sinais de esgotamento. Soma-se a vida pessoal do blogueiro, as rápidas mudanças de costumes da audiência, as novidades tecnológicas (olha o Twitter aí) e a temporada farsesca que foi a de 2009 e tem-se o cenário atual: poucas postagens.

O GP de Abu Dhabi, no meu entender, serve como um marco e uma referência do que será a Fórmula 1 daqui para a frente. O foco não está na competição, o foco não está no automobilismo, o foco não está no cheiro de borracha queimada, no desafio e na coragem dos pilotos. O foco está no espetáculo. E espetáculo é tudo aquilo que brilha e chama a atenção. Então… grande coisa se a corrida foi uma porcaria. O hotel muda de cor! A corrida acontece ao pôr-do-sol, o cenário é lindo. É a Fórmula 1 se transformando no que o Cirque du Soleil fez com a ginástica artística. Mas pelo menos a ginástica não foi extinta. Já a Fórmula 1 só gira em torno de si mesma e, no ritmo atual, está se engolindo.

Sempre cito o sábio Panda, que desde 2003 alerta que a Fórmula 1 acabou. Virou uma palhaçada midiática, uma competição na qual o mais rápido não necessariamente é o pole, no qual chegar em segundo ou primeiro dá praticamente no mesmo, em que o título geralmente é definido na última corrida apenas por força do regulamento e não em razão de um equilíbrio real. Houve até grandes decisões de título em 2007 e 2008, mas me pergunto se vale a pena pagar o preço de um campeonato patético como o de 2009 para viver minutos de emoção. Não que o fato da Brawn ser campeã na estreia seja um demérito para a categoria, não é. O demérito está no regulamento dúbio, nas decisões políticas que levaram a Red Bull a ter um projeto similar ao da Brawn vetado e depois ver o adversário ganhar tudo com a mesma ideia. Os dois pesos e duas medidas dos dirigentes vêm marcando pelo menos os últimos anos da categoria. E se há 20 anos também havia favorecimentos, vide Jean-Marie Balestre e Alain Prost, eram atitudes pontuais. Hoje, o problema é estutural, como compararia Cléber Machado.

Sou um crítico árduo da gestão da Stock Car brasileira, mas fico pensando se o errado da história não sou eu. Bem ou mal, apostando mais no show e menos em competição, eles vêm seguindo a mesma fórmula mágica de Bernie Ecclestone e Max Mosley. Podem ficar ricos, podem ter autódromos cheios, mas essa competição fajuta certamente não é aquela que quem se acostumou a ver nos anos 70, 80 e até meados 90 entende como verdadeira.

Mas o desabafo não é para justificar o fim do blog, até porque o blog não vai terminar. Mas é uma visão mais ampla para que todos possam entender as mudanças que virão. Não sou acomodado, é preciso ousar, é preciso reagir, é preciso sair da mesmice. O blog já teve dois momentos, primeiro o de charges e depois o de notícias e comentários. E, como da primeira vez, a decisão de mudar nasce da necessidade de fazer algo diferente. As “Charges do Capelli” foram pioneiras na Internet, mas quando esgotaram-se, deram lugar a um novo formato. Quando o novo modelo entrou em vigor, no começo de 2007, havia na Internet brasileira praticamente apenas o blog do Flavio Gomes dedicado ao automobilismo. O Blog do Capelli apareceu para complementar, para mostrar um lado B da Fórmula 1, com curiosidades, bom humor e notícias que pouco apareciam. Mas isso também se esgotou. Hoje, excelentes jornalistas como Fábio Seixas, Ico, Pandini, Rodrigo Mattar e Victor Martins mantêm blogs de alto nível. Abnegados como o Rianov Albinov e o Becken Lima também. Mas a Internet está inflada de blogs de F1. Alguns bons, outros nem tanto, mas é preciso mudar outra vez.

Assim, proclamo uma pausa nas atualizações. Enquanto isso, não pensem que estou de folga. Estou trabalhando no novo formato, novo layout, tudo vai mudar. O foco segue sendo a F1, mas outras coisas vão pintar no balaio. Mas, lógico, as opiniões, as críticas, o bom humor e as curiosidades vão continuar. Afinal, é um blog pessoal e não há como fugir a características inerentes à pessoa. Uma novidade bem legal já está sendo desenvolvida por mim, Bruno Mantovani e o Robson Moraes, aquele mesmo que fez o jogo online Trunfo das Equipes. Será bem bacana.

O novo Blog do Capelli ainda não tem data para estrear, mas deve pintar ainda antes do fim de 2009. Até lá, continuem me acompanhando no Twitter, onde as palhaçadas seguem.

E não levem isso aqui tão a sério. É só um passatempo que deu certo.

Abraço a todos,

Capelli

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.