Rapidinhas da classificação: Brasil

- E eis que, depois de cinco anos sem sentir o gostinho de uma pole position, Rubens Barrichello encerra o jejum. E logo em Interlagos, praticamente o quintal de sua casa, num treino caótico num dos finais de semana mais importantes de toda a sua carreira. - O treino foi de uma loucura ímpar. Se há [...]
 
Rapidinhas da classificação: Brasil
Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- E eis que, depois de cinco anos sem sentir o gostinho de uma pole position, Rubens Barrichello encerra o jejum. E logo em Interlagos, praticamente o quintal de sua casa, num treino caótico num dos finais de semana mais importantes de toda a sua carreira.

- O treino foi de uma loucura ímpar. Se há quinze dias, em Suzuka, tínhamos visto um treino bastante peculiar, com três bandeiras vermelhas, o de hoje foi um dos mais longos da história. Quase três horas separaram a abertura da sessão da bandeira quadriculada, com diversas interrupções em razão da forte chuva em Interlagos.

- O circuito, no entanto, não deve ser criticado. A chuva era forte demais. Em Nürburgring, há dois anos, uma tromba d’água fez a curva do final da reta virar um verdadeiro rio. Interlagos não chegou a tanto, o sistema de drenagem parece ter funcionado muito bem.

- E quem tirou melhor proveito das circunstâncias chuvosas foi Rubens Barrichello. A tocada do brasileiro debaixo d’água é impressionante. Segura, rápida, eficiente. Dentro das condições de pista instável e carro ameaçando escapar o tempo todo, Barrichello é um dos melhores, senão o melhor. Protagonizou uma disputa eletrizante com Mark Webber nas voltas finais e saiu, merecidamente, vencedor.

- A pole position, somada ao mau desempenho de Jenson Button e Sebastian Vettel (14º e 15º, respectivamente), traz um certo alento ao brasileiro quanto à disputa do título. Ele precisa de uma corrida de exceção – vitória combinada à uma péssima pontuação dos adversários – para ir a Abu Dhabi com chances reais de título. E ela pode acontecer em Interlagos, os prenúncios são os melhores.

- Digo isso até porque a sorte que historicamente deixou Barrichello na mão nos GPs do Brasil sorriu para ele hoje. A Brawn errou na escolha dos pneus no Q2, mandando seus pilotos para pista com compostos para chuva forte. Nos minutos finais de treino, quem estava de intermediários começou a virar os melhores tempos e o brasileiro correu sério risco de não passar à fase final da classificação. Um a um, os adversários vinham derrubando seu tempo. Quando já era décimo, perderia a última vaga na superpole para o estreante Kamui Kobayashi, da Toyota. Mas o japonês perdeu a traseira no “S do Senna”, fazendo a equipe Brawn suspirar aliviada.

- A partir daí, Barrichello não precisou mais de sorte, apenas a competência que tem de sobra. E vai largar na pole.

- A estratégia era essa mesmo. Rubens é o mais leve de todos os carros do grid e preparou-se para largar na frente. Conseguiu, agora precisamos ver como seu carro vai se comportar na corrida.

- Particularmente, tenho minhas dúvidas com relação a uma estratégia de largada leve em uma corrida com previsão de chuva. Entradas do Safety Car são bastante previsíveis e elas geralmente arruínam quem larga leve. Na brincadeira de chove-para que deve acontecer amanhã em Interlagos, Barrichello precisará torcer muito para que a sorte lhe sorria novamente.

- Quem aposta no contrário, no seco, é a McLaren. Seus carros treinaram com acerto para tempo bom e fizeram um dos piores treinos da história da equipe: Kovalainen larga em 16º e Hamilton, em 17º. Se secar, podem se dar bem. Se chover, farão fiasco.

- Adrian Sutil, de Force India, apareceu muito bem hoje de novo. Apesar de um enrosco evitável com Nick Heidfeld no Q1, foi brilhante na fase final do treino e larga em terceiro lugar. Ao seu lado, Jarno Trulli, com a Toyota.

- Na terceira fila, Kimi Raikkonen e o surpreendente Sebastien Buemi, com a Toro Rosso. O suíço, bem mais pesado que os carros à sua frente, poderá fazer alguma graça na primeira fase da prova. Como fez Vettel, com um carro da mesma equipe, no ano passado.

- Nico Rosberg, minha aposta para pole position, fraquejou no treino final. Mesmo com o carro bem leve, não conseguiu ir além da sétima posição. Se beliscar um pódio, será muito. Ao seu lado, o narigudo Kubica.

- Não arrisco apostas para amanhã, com chuva tudo pode acontecer. Inclusive nada. Mas acho que as circunstâncias apontam para grande possibilidade da corrida de exceção que Barrichello tanto espera.

- Porém, um alerta: ainda que Barrichello precise vencer a todo custo, não seria boa para ele uma corrida confusa demais, como aconteceu na Malásia este ano. Caso a prova seja interrompida antes de completadas 75% das voltas, valerá apenas metade da pontuação. E vencer levando somente cinco pontos seria desastroso para o brasileiro. Seria bom apenas pelo gosto de ganhar em casa, porque suas chances no campeonato estariam praticamente arruinadas.

Classificação Treino GP do Brasil

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.