Rapidinhas: GP da Bélgica

- Numa corrida de certa forma frustrante, mais uma vitória merecida de Kimi Raikkonen em Spa-Francorchamps. A ligação dele com o circuito é bastante especial e quatro vitórias nas últimas cinco edições do GP da Bélgica falam por si. Não é qualquer um que vence tantas vezes em Spa, o traçado mais desafiador do calendário [...]
 
Rapidinhas: GP da Bélgica
Foto: Divulgação/Ferrari

Foto: Divulgação/Ferrari

- Numa corrida de certa forma frustrante, mais uma vitória merecida de Kimi Raikkonen em Spa-Francorchamps. A ligação dele com o circuito é bastante especial e quatro vitórias nas últimas cinco edições do GP da Bélgica falam por si. Não é qualquer um que vence tantas vezes em Spa, o traçado mais desafiador do calendário da Fórmula 1. Kimi comprova, cada vez mais, que é um baita piloto. Pena que volta e meia fica desligado.

- Hoje, “ligado”, Kimi fez grande corrida. Largou bem, pulou de sexto para segundo na primeira volta e soube usar bem o KERS para ultrapassar o líder Fisichella na relargada, depois da paralisação da corrida com Safety Car em função dos salseiros da largada.

- Dali para frente, administrou a corrida de tal forma que fez parecer fácil. Embora Giancarlo Fisichella tenha sido um adversário bastante difícil.

- O italiano foi mesmo um osso duro de roer hoje. Mesmo com a fraca Force India – que estava forte em Spa -, Fisico foi o maior nome da prova. Andou na frente com consistência, acompanhou Kimi Raikkonen, pressionou, e talvez só não tenha vencido por ter relargado mal. Tivesse arrancado um pouquinho melhor, talvez o KERS não fosse suficiente para Raikkonen consumar a ultrapassagem e a Force India poderia ter vencido sua primeira corrida na Fórmula 1. Fisichella tinha carro para manter-se à frente.

- Com o resultado, vai ter indiano dançando até o final da novela das oito. Mas foi um resultado merecido para uma equipe pequena, mas séria. Por mais que Vijay Mallya possa ter sido visto num primeiro momento como um aventureiro, suas decisões na gestão da equipe são acertadas. Não é um time novo que caiu no lugar-comum de aceitar pilotos pagantes de qualidade duvidosa para pagar as contas. A Force India tem um planejamento e uma gestão séria e que, por mais que tenha tido problemas de caixa com a crise e deva a alguns fornecedores, não é um time picareta. O pódio de hoje é resultado de trabalho, como diria Muricy Ramalho.

- Foi, numa avaliação geral, uma corrida bastante atípica. Spa costuma protagonizar corridas diferentes, mas as maluquices dessa vez tiveram início na classificação, que gerou um grid embaralhado, com diversos pilotos de ponta saindo no “pelotão da merda”, como se diz informalmente.

- E “merda” foi o que não faltou na primeira volta. Na frente, Rubens Barrichello não conseguiu arrancar direito, pela terceira vez na temporada. Ficou parado no grid, obrigou os outros pilotos a rápidas manobras de evasão e gerou um pequeno salseiro na primeira curva. Mais adiante, Kimi deu uma escapada na Les Combes e foi tocado na traseira por Jarno Trulli, que precisou parar para trocar o bico. Mas isso foi só o começo.

- Logo atrás, estranharam-se Lewis Hamilton, Jaime Alguersuari, Romain Grosjean e Jenson Button. Culpa de alguém? Não me pareceu, inicialmente. Incidente de corrida, acontece, um toque gera outro toque, que gera outro e vai todo mundo para a parede. Todos os quatro abandonaram e a corrida perdeu dois possíveis protagonistas – Hamilton e Button – logo na primeira volta.

- Isso acabou tirando um pouco o brilho da corrida. Menos carros na pista, menos disputas, a partir daí o que se viu foi uma prova bem mais morna do que o costume no GP da Bélgica.

- Mesmo assim, não faltaram bons lances, como a série de ultrapassagens de Rubens Barrichello na sua tentativa de recuperação. Passou Badoer (tudo bem, minha mãe também passaria), mas fez bonitas manobras sobre Jarno Trulli e Kazuki Nakajima. Chegou a dar pinta de que brigaria por uma posição mais à frente no fim da prova, mas depois sua recuperação começou a perder fôlego.

- De toda forma, o sétimo lugar ficou de bom tamanho. Principalmente considerando o fumegante motor Mercedes de sua Brawn nas últimas voltas. E que, ao chegar ao pit lane, pegou fogo. Foram dois pontos que reduziram um pouco mais a diferença para o líder do campeonato, Jenson Button.

- Na semana passada, avaliei que, para Rubens Barrichello ter chances reais de brigar pelo título. Precisava de pelo menos mais duas corridas atípicas até o fim da temporada, marcando vários pontos e com Button mal posicionado. Hoje, a corrida atípica aconteceu, com o abandono do inglês na primeira volta. Mas Barrichello perdeu uma grande chance. Os dois pontos não são de todo um mau resultado, porém têm todas as características de oportunidade desperdiçada.

- Agora faltam apenas cinco corridas para o fim e Barrichello ainda depende de mais duas provas atípicas. O funil aperta e as chances ficam menores. A seu favor, o seu bom momento na equipe e a tendência de um certo embaralhamento dos carros de acordo com o circuito nesta temporada. Contra, o pouco tempo para fazer muita coisa.

- De forma absoluta, a diferença caiu para 16 pontos. Mas, de forma relativa, ela aumentou. Explico: antes, Barrichello precisava descontar 18 pontos em 60 possíveis. Ou seja, precisava descontar 30% dos pontos possíveis. Agora, precisa tirar 16 em 50, o equivalente a 32%. E com menos corridas pela frente.

- A situação de Button, mesmo com o mau momento que atravessa, é confortável, de certa forma. À exceção da corrida como hoje, com um acidente, o inglês consegue garantir pelo menos dois pontos por prova. Para descontar os 16, Barrichello precisaria tirar mais de três por corrida. Assim, precisa marcar, em média, seis pontos por prova. O que em resumo significa estar no pódio em todas as últimas cinco provas da temporada.

- É difícil, mas logicamente, não impossível. Até porque há menos de dois anos, Kimi Raikkonen tirou 17 pontos de Lewis Hamilton em apenas duas corridas.

- Sebastian Vettel, que completou o pódio hoje, é outro que ainda sonha com o título. Ultrapassou Webber e agora é o terceiro na classificação, a 19 pontos de Button. Tem chances, mas tem poucos motores restando para sair ganhando tudo até o fim.

- Daqui a duas semanas, Monza, encerrando a temporada europeia e dando início à reta final do campeonato. Se Button aumentar a distância, garante uma vantagem confortável para o fim da temporada. Mas uma outra corrida ruim somada a bons resultados de Barrichello, Vettel e Webber, pode dar início a um desfecho histórico para a temporada 2009.

Dados: F1 Official Live Timing

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.