Alguersuari, a bola da vez

Desde outubro de 2007, quando Alexander Wurz deixou a Williams para permitir que Kazuki Nakajima assumisse seu lugar para estrear no GP do Brasil, um piloto não era substituído por outro no decorrer de uma temporada da Fórmula 1. Mas o período recorde sem demissões, substituições ou lesões tende a terminar daqui a quinze dias, [...]
 
Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull

Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull

Desde outubro de 2007, quando Alexander Wurz deixou a Williams para permitir que Kazuki Nakajima assumisse seu lugar para estrear no GP do Brasil, um piloto não era substituído por outro no decorrer de uma temporada da Fórmula 1. Mas o período recorde sem demissões, substituições ou lesões tende a terminar daqui a quinze dias, em Hungaroring. Segundo os mais fortes boatos no paddock no último final de semana, puxados pela apressada imprensa espanhola, a Toro Rosso deve anunciar até quarta-feira a dispensa de Sebastien Bourdais. Em seu lugar, surgiria um novato espanhol de nome difícil: Jaime Alguersuari.

A pose de galã da foto que ilustra este post não é mero acaso. Atualmente fazendo campanha mediana – 8º lugar – na World Series by Renault e com uma carreira de resultados bastante duvidosos, Alguersuari deverá ser o escolhido muito mais por questões de marketing e mercado do que necessariamente por talento nas pistas.

A Red Bull, como bem se sabe, faz um trabalho competente na Fórmula 1. Mas o sucesso nas pistas com suas equipes surge como um objetivo secundário. O objetivo principal é divulgar a marca de energéticos, associá-la a juventude, esportes radicais e tudo que seja “cool” para vender latinhas. E Alguersuari pode até não ser grande coisa, mas é jovem – 19 anos – e serve como um ótimo garoto-propaganda. Além de tudo, vem da Espanha, mercado promissor na Europa, inflamado pela Alonsomania e único país a sediar atualmente duas corridas da categoria na mesma temporada. Preencheu requisitos suficientes? Então está dentro.

O histórico de Alguersuari no automobilismo é modesto. Começou sua carreira em 2005, com 15 anos, na Fórmula Júnior 1600 Itália, categoria escola pra recém-saídos do kart. Terminou a temporada em 3º. No seu segundo ano de automobilismo, entrou para o Red Bull Junior Team, programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull. Disputou a Fórmula Renault Italiana e a Fórmula Renault Eurocup. Terminou em modestos 10º e 12º lugares, respectivamente.

Em 2007, prosseguiu nas mesmas categorias, agora pela melhor equipe, a Epsilon Euskadi. Na Italiana, lutou pelo título até o fim, mas perdeu para o finlandês Mika Maki. E na Eurocup ficou em 5º, quando o campeão foi o neo-zelandês Brendon Hartley. O detalhe é que os dois campeões eram seus colegas no programa da Red Bull. Ou seja, teve os resultados mais modestos dos três.

No ano passado, deu uma virada, fazendo uma boa temporada. Disputou a Fórmula 3 Britânica e brigou pelo título intensamente com Hartley, Sergio Perez e Oliver Turvey. Acabou campeão, mas muito mais por demérito dos demais do que por demontrar algum talento inato. Hartley errava demais e Turvey teve muitos problemas mecânicos. A falta de ímpeto do espanhol chamou um tanto a atenção, com ele próprio admitindo que preferia ser regular e chegar em 4º ou 5º do que lutar demais pela vitória. Ganhou fama, pelo menos, de ser um piloto cerebral.

O curioso é que, mesmo sendo campeão, o escolhido da Red Bull para assumir o posto de piloto reserva da Toro Rosso foi Brendon Hartley. Mas circunstâncias ainda não muito esclarecidas fizeram com que o neo-zelandês abdicasse do posto, abrindo caminho para Alguersuari. E de lá pra cá, a Espanha toda faz campanha para que seu pop star assuma um cockpit na Fórmula 1. O que há de fato e o que há de desejo neste movimento ainda não se sabe. Até o final da semana, deveremos ter a resposta.

Outro fator que conta a favor de Jaime é a sua juventude. Não que ter um garoto imberbe no volante vá ser alguma garantia de bom resultado, mas certamente é certeza de manchetes nos jornais. Caso ele dispute o GP da Hungria, quebrará o recorde de Mike Thackwell e passará a ser o mais jovem piloto a já ter largado para uma corrida de Fórmula 1, com 19 anos, cinco meses e três dias. Vinte e seis dias a menos que Thackwell.

Colaborou com este post: Renata, do Fórum Downforce.

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.