Isso aqui tá bom demais

“Olha, isso aqui tá muito bom / Isso aqui tá bom demais / Olha, quem tá fora qué entrá / Mas quem tá dentro não sai” Os simples e sonoros versos de Dominguinhos e Nando Cordel, num forró arretado cantado pelo sanfoneiro e por Chico Buarque que virou hit nos anos 80, caem como uma luva [...]
 
Foto: Divulgação

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“Olha, isso aqui tá muito bom / Isso aqui tá bom demais / Olha, quem tá fora qué entrá / Mas quem tá dentro não sai”

Os simples e sonoros versos de Dominguinhos e Nando Cordel, num forró arretado cantado pelo sanfoneiro e por Chico Buarque que virou hit nos anos 80, caem como uma luva na situação das inscrições das equipes para a temporada 2010. Ameaçaram boicote daqui, disseram que iam criar uma categoria nova ali, mas no fim das contas todo mundo procurou garantir seu lugar na boa e velha Fórmula 1.

É uma novela repetitiva, chata e de final previsível, exatamente como as que escreve Glória Perez. Não foi a primeira vez e nem será a última em que equipes brigam com a FIA, desdenham a categoria, fazem ameaças públicas para, no final, fazerem as pazes. Tudo parte do cerimonial para conseguir alguma regalia no final.

As bases do acordo para a próxima temporada ainda não foram reveladas, talvez um acordo formal ainda não tenha sido fechado, mas é perceptível que FOTA, FIA e FOM já têm um esboço de regulamento para trabalhar, no qual não ficou ruim para ninguém. Agora basta fazer uma arte-final e divulgar.

Afinal, ninguém é doido de matar a galinha dos ovos de ouro. A lição da cisão IRL/Cart, que criou duas categorias inifinitamente menores do que a original e que hoje, após a reunificação, ainda é menor do que era há 15 anos, serve para todo mundo. Historicamente, a F1 é um campeonato de equipes de fábrica contra independentes, ou de equipes independentes impulsionadas por motores de fábricas. É assim e sempre será, às vezes com maior investimento das montadores, às vezes com menos. Mas uma categoria só de fábricas não duraria dez anos, ao passo que uma categoria só de independentes teria dificuldades em subsistir.

Se as sandices de Max Mosley trouxeram algo de divertido, foi a farta inscrição de equipes para o ano que vem. Além dos dez times que já disputam o campeonato, outros sete resolveram aparecer: USGPE, March, Lola, Prodrive, Campos, Litespeed e Superfund. Mas tantas inscrições não devem ser levadas a sério. Somente três poderão fazer parte do seleto clube e, de todas, acredito mesmo apenas no projeto da Prodrive. A Lola me parece um pouco mais séria, talvez a Campos, e o resto me cheira mais a uma aventura inconsequente. Quando ficar claro para todo mundo qual o orçamento necessário para disputar uma temporada de forma competitiva, com ou sem teto, começarão a pipocar as desistências. Talvez entrem apenas duas, ou até uma.

Mas no levantar da poeira do arrastapé da Fórmula 1, ficou claro que quem está fora quer entrar. E quem está dentro não sai de jeito nenhum.

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.