Rapidinhas: GP de Mônaco

- Mais uma vez Jenson Button, com todos os méritos do mundo. O inglês foi perfeito desde a largada, abriu a diferença necessária para garantir a vitória já no primeiro stint e dali para frente só administrou. Só não venceu de ponta a ponta por causa das paradas de box. - A fase do inglês, como [...]
 

- Mais uma vez Jenson Button, com todos os méritos do mundo. O inglês foi perfeito desde a largada, abriu a diferença necessária para garantir a vitória já no primeiro stint e dali para frente só administrou. Só não venceu de ponta a ponta por causa das paradas de box.

- A fase do inglês, como disse ontem, é irresistível. Ele faz exatamente o que é necessário para vencer, acelera na hora certa, administra na hora certa, não comete erros. Simplesmente perfeito. O melhor piloto da temporada, disparado.

- Rubens Barrichello, segundo colocado, brilhou na largada. Arrancou melhor que Kimi Raikkonen e ganhou a posição na largada, mesmo sem KERS. Não conseguiu acompanhar o ritmo de Jenson no começo e dali para frente correu para administrar o segundo, no que foi bastante competente.

- Eterno otimista e cheio de promessas, hoje Barrichello parece ter jogado a toalha na coletiva. Ao final de seu pronunciamento em português, disse que continua “na busca da… da… vitória que… que… com certeza… (pigarro) deve acontecer”. Foi prudente e consciente em não falar mais em título. Esse, já tem dono.

- Se alguém parecia capaz de bater a Brawn em Monte Carlo, este alguém foi a Ferrari. A equipe italiana encontrou o rumo e fez uma boa prova. Caso tivesse saltado na frente, poderia até ter brigado pela vitória. Kimi Raikkonen foi terceiro, mas não sem dar trabalho a Barrichello. Parece que voltou à velha forma.

- Felipe Massa foi bem, brigando com Rosberg e Vettel. Forçou uma ultrapassagem e cortou a chicane do porto, mas corretamente devolveu a posição. Quando teve pista livre, foi o piloto mais rápido da corrida, terminando o GP com a melhor volta. Quarto colocado, perdeu o duelo interno para Kimi Raikkonen, mas isso é a menor das preocupações no momento.

- Na Red Bull, decepção com Sebastian Vettel. Com o set de pneus macios, andou muito abaixo do esperado e ficou segurando um trenzinho por várias voltas, mais de 3s mais lento que o restante dos pilotos. Quando trocou pneus e tentou tirar o atraso, bateu na Saint Devote. Ainda comete erros da juventude, totalmente aceitável. Mas já começa a perder espaço para Mark Webber.

- Quietinho, o australiano vez fazendo uma excelente temporada. Quinto hoje, preocupou a Ferrari durante a prova. Vai marcando seus pontos, enquanto Vettel ou vence, ou bate.

- Nico Rosberg foi sexto, conseguindo importantes pontinhos para a Williams. Também vem bem no campeonato, ao contrário de seu companheiro Kazuki Nakajima. Hoje, o japonês bateu na última volta. É o preço que se paga pelos motores Toyota.

- Ah, a Toyota… só não sofreu vexame maior porque a BMW conseguiu ser ainda pior. Timo Glock e Jarno Trulli passaram o tempo todo na rabeira, sem qualquer chance. O mesmo para as BMW de Kubica e Heidfeld. Todos chegaram atrás da Force India de Fisichella. Deprimente.

- Lewis Hamilton saiu da última posição, o que em Mônaco significa a perda de qualquer chance na prova. Arriscou algumas ultrapassagens, trocou o bico, deu emoção à prova. Resultado? 12º entre 14 que chegaram.

- Kovalainen, a esperança de pontos da McLaren hoje, fazia uma corrida correta e chegaria entre os oito primeiros, mas bateu nos esses da piscina. Quando a fase é péssima, é péssima.

- Também é o caso de Nelsinho. A fase é horrível, mas mesmo quando ele não se estrepa sozinho, outro vem e faz o serviço. Foi o que aconteceu hoje, atropelado por Sebastien Buemi no final da reta. O suíço errou o ponto de freada e jogou o brasileiro longe, numa manobra bizarra. Aliás, Felipe Massa fez igualzinho com Enrique Bernoldi em seus tempos de Sauber.

- Fernando Alonso, do jeito que dá, foi sétimo. Mais pontos no bolso, é o máximo que a Renault pode almejar no momento.

- A Toro Rosso marcou pontos com Sebastien Bourdais, incansavelmente secado por quem deseja ver Lucas di Grassi ou Bruno Senna em seu lugar. Fez boa corrida, no fim das contas.

- Campeonato de pilotos: Button absoluto, 16 pontos à frente de Barrichello. Como o único que pode ameaçá-lo não vai ameaçá-lo, ruma seguro ao título mundial. Vettel, que depois do GP da China parecia ter alguma chance, já está longínquos 28 pontos atrás. Não busca mais.

- Entre os construtores, a Brawn já tem o dobro de pontos da Red Bull. A Ferrari já é quarta, ultrapassando a McLaren. Se confirmar a evolução atual, deve terminar a temporada como segunda equipe. Aliás, hoje a Ferrari não fez bobagem. Fato raro em 2009.

- Cinco vitórias de Button em seis corridas, e aí eu pergunto: e o regulamento de campeão por vitórias, hein? Vão insistir nessa burrada para 2010? Não que exista uma grande possibilidade de alguém derrotar o inglês mesmo no regulamento atual, mas pelo menos há uma perspectiva de 16 pontos para o segundo descontar ante 110 a disputar.

- Na classificação por vitórias, Button só poderia perder a liderança do mundial em Valencia, no final de agosto, no improvável acontecimento de Barrichello vencer todas as corridas seguintes, consecutivamente. No regulamento atual, ele pode perder a ponta daqui a duas corridas, em caso de dois maus resultados combinados a duas vitórias do companheiro de equipe.

- Não que isso vá acontecer, Button deve confirmar a liderança até o fim do ano, mas uma coisa é expectativa, outra é fato consumado. Da forma atual, a perspectiva de que “pode acontecer” torna o campeonato interessante.

- Próxima etapa na Turquia, pista na qual a Ferrari e – principalmente – Felipe Massa se dão muito bem. Acho que a Brawn vai ter um desafio duro pela frente.

Classificação final - GP de Mônaco 2009

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.