Regulamento de merda

O título do post é uma citação ao mestre Pandini. Que, desde 2003, ano a ano, repete o mantra: “o regulamento da Fórmula 1 é uma merda”. E a FIA conseguiu, hoje, deixá-lo ainda pior. O Mundial de Pilotos de 2009 será decidido apenas em um critério: vitórias. Sim, não importa se o piloto chegou [...]
 

O título do post é uma citação ao mestre Pandini. Que, desde 2003, ano a ano, repete o mantra: “o regulamento da Fórmula 1 é uma merda”. E a FIA conseguiu, hoje, deixá-lo ainda pior. O Mundial de Pilotos de 2009 será decidido apenas em um critério: vitórias. Sim, não importa se o piloto chegou em segundo, terceiro ou décimo. Só importa a vitória. Conseguiram algo ainda pior que o sistema de medalhas idealizado por Bernie Ecclestone.

De uma forma simplista, o raciocínio é: pra ser campeão, tem que ganhar mais. Quem ganha mais, é o melhor. Então, o título é justo. O problema é que o regulamento “justo” pode gerar enormes injustiças. Um exemplo: se todos os campeonatos até aqui seguissem o mesmo critério, Nelson Piquet nunca teria sido campeão do mundo teria apenas um título mundial, o de 1981. E aí eu pergunto: é justo?

A Fórmula 1 empurrou o pêndulo além do ponto. Foi de um extremo ao outro, sem escalas. Se de 2003 a 2008 os campeonatos privilegiavam praticamente só a regularidade, agora privilegiará unicamente a vitória. Será que esperar um caminho do meio é exigir demais das cabeças dirigentes?

Senti uma lufada de ar fresco quando a FOTA propôs, semana passada, um sistema de pontuação de 12-9-7-5-4-3-2-1. Seria o caminho mais lógico, premiar a vitória e o pódio e gerar um campeonato equilibrado, mas justo. Agora, alguém poderá subir ao pódio em todas as corridas e não ser campeão. Enquanto alguém pode ser irregular ao extremo, vencendo cinco corridas e abandonando 14 e ainda assim levar o caneco.

Uma coisa é inegável: as disputas pela vitória serão mais acirradas. Em compensação, quem vai se arriscar a brigar pelo segundo ou terceiro lugar, se de mais nada vale? O piloto de ponta que tiver um problema no grid de largada e tiver que sair dos boxes dificilmente vencerá. Logo, que estímulo terá para fazer uma arriscada e emocionante corrida de recuperação? Apenas pelo Mundial de Construtores? Numa situação dessas, não seria mais lógico desistir da corrida e poupar o motor para a etapa seguinte?

Escrevam: toda corrida em que alguém disparar na frente se tornará uma merda. Exatamente como a nova pontuação da Fórmula 1.

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.