Terceiros carros

Durante a semana em que estive hibernando, Bernie Ecclestone preparou mais um de seus famosos balões de ensaio, dizendo que as maiores equipes poderão vir a alinhar um terceiro carro nesta temporada caso a Honda não arrume novos donos e a categoria fique com a penas 18 carros. Uma sandice completa num período de crise financeira [...]
 
Foto: Reprodução/Motorsports Almanac

Foto: Reprodução/Motorsports Almanac

Durante a semana em que estive hibernando, Bernie Ecclestone preparou mais um de seus famosos balões de ensaio, dizendo que as maiores equipes poderão vir a alinhar um terceiro carro nesta temporada caso a Honda não arrume novos donos e a categoria fique com a penas 18 carros.

Uma sandice completa num período de crise financeira sem precedentes na Fórmula 1. Se o objetivo é cortar custos, preparar um terceiro carro é um contrassenso absoluto. E se a FOM sinaliza com uma ajuda financeira para custear o carro extra, seria mais lógico subsidiar a ex-Honda, o que faria muito mais sentido.

Mas houve um tempo em que, sem orçamentos tão cheios de zeros à direita, algumas equipes eventualmente colocavam três carros numa corrida. Algumas vezes para testar algum componente, mas muitas delas para avaliar novos pilotos.

Emerson Fittipaldi, por exemplo, só estreou na Fórmula 1 graças a um terceiro carro inscrito pela Lotus no GP da Inglaterra de 1970. Emmo foi chamado por Colin Chapman para correr ao lado dos titulares John Miles e Jochen Rindt. Agradou e meses depois viraria primeiro piloto da equipe, devido à morte de Rindt e o posterior desentendimento entre Chapman e Miles, que questionava a segurança do Lotus 72.

Nigel Mansell também começou sua história na categoria em um terceiro carro, também da equipe Lotus. O mesmo Chapman chamou Mansell para correr ao lado de Mario Andretti e Elio de Angelis no GP da Áustria de 1980. Ao término da temporada, Andretti mudou-se para a Alfa Romeo e Mansell passou a titular.

A última vez em que um time colocou três carros numa mesma corrida, no entanto, não teve nenhum dos propósitos anteriores. No GP da Alemanha de 1985, em Nürburgring (nome próprio ainda tem trema!), a Renault chamou o obscuro François Hesnault, recém-demitido da Brabham, para participar de uma ação promocional. Com o aval de todas as equipes da categoria, o terceiro Renault foi colocado na pista para ser beta tester de uma tecnologia que estava engatinhando nas transmissões ao vivo: as câmeras on-board.

Hesnault, aquele mesmo cuja lenda diz que saiu rodando feito pião da primeira vez em que acelerou o motor BMW turbo de sua Brabham (igualzinho a mim no rFactor), alinhou com o tal terceiro carro, em companhia de Derek Warwick e Patrick Tambay, titulares da Renault. Largou em 23º entre 27 participantes e sua brincadeira de câmera-man durou pouco. Na oitava volta, teve problemas de embreagem e abandonou. Foi a última participação do francês na Fórmula 1 e, desde então, nunca mais uma mesma equipe contou com três inscritos num mesmo grid de largada.

Related Posts with Thumbnails
Avalie este post:
RuimRegularBomMuito BomÓtimo (30 votes, average: 4,53 out of 5)
Loading ... Loading ...

Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.