Pela volta da Tyrrell

Hoje, num debate que acompanhava entre a turma do Fórum Downforce, surgiu uma ideia que achei muito interessante. Por que os novos donos da Honda, se existirem, não rebatizam a equipe com seu nome original, Tyrrell? Pela ordem: A Tyrrell Racing Organisation surgiu no final dos anos 60 e foi, por cerca de 40 anos, um [...]
 
Foto: Arquivo

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Hoje, num debate que acompanhava entre a turma do Fórum Downforce, surgiu uma ideia que achei muito interessante. Por que os novos donos da Honda, se existirem, não rebatizam a equipe com seu nome original, Tyrrell?

Pela ordem: A Tyrrell Racing Organisation surgiu no final dos anos 60 e foi, por cerca de 40 anos, um dos grandes nomes da Fórmula 1. Teve seu apogeu nos anos 70, com os títulos mundiais de Jackie Stewart, mas também marcou época com o famoso modelo de seis rodas e teve grandes pilotos em seus cockpits, como Ronnie Peterson, Patrick Depailler e Jody Scheckter. Com a invasão dos turbos, no começo da década de 80, a Tyrrell sucumbiu. Crises técnicas, falta de patrocínio e sucessivos maus resultados foram jogando a equipe cada vez mais para trás do grid. Com Jean Alesi ao volante de um revolucionário carro de Harvey Postlethwaite, o time teve seus últimos grandes resultados em 1990, até voltar à espiral de decadência que levou Ken Tyrrell a vender seu time, em 1998. E é aí que começa uma história ainda mais inglória.

Em 1999, a tabaqueira British American Tobacco assumiu a Tyrrell, rebatizando-a de BAR. Fizeram muito alarde contratando o campeão mundial Jacques Villeneuve, investiram pesado, mas os resultados simplesmente não apareceram. A BAR existiu por sete temporadas, mas tratou-se sempre de uma equipe sem identidade marcante, rica e distante, e o principal: sem glórias. Em nada honrou o passado do time que lhe deu origem.

Em fins de 2005, com a proibição da propaganda tabagista na Fórmula 1, a BAT viu por bem encerrar sua participação na categoria, vendendo o time para a Honda, fornecedora de motores da BAR. E os japoneses conseguiram fazer um papel de Midas às avessas, relegando uma equipe que ao menos aspirava pódios em habitué do fim do pelotão. Como fora a Tyrrell em seus últimos dias.

Pois agora, com a saída da Honda em sua mais recente e atrapalhada passagem pela F1, por que os novos donos, se aparecerem, não investem na história da Tyrrell? Pode ser uma grande oportunidade de gerar mídia espontânea, empatia com torcedores, honrar e homenagear o passado da categoria num momento de crise aguda. Imagino o arrepio entre os torcedores mais antigos ao verem um carro azul marinho rasgando as retas de Silverstone.

Está aí uma ideia simples e perfeitamente aplicável. Talvez seja necessário pagar direitos de uso para os donos do nome Tyrrell, mas não enxergo nisso um grande empecilho. Enfim… por que não?

O amigo Gustavo Lucena fez outro texto defendendo a mesma ideia. É preciso registrar-se para ler, mas é rápido, grátis e vale a pena.

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.