F1 muda não mudando

E depois da reunião desta semana em Paris, quando esperava-se um pacotão que mudaria radicalmente a Fórmula 1 daqui pra frente, a comissão formada por equipes e dirigentes decidiu que a categoria vai mudar, mas não mudando. Explico: embora tenham sido tomadas medidas mais fortes visando cortes de custos, na prática a mais importante delas, que [...]
 
Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

E depois da reunião desta semana em Paris, quando esperava-se um pacotão que mudaria radicalmente a Fórmula 1 daqui pra frente, a comissão formada por equipes e dirigentes decidiu que a categoria vai mudar, mas não mudando.

Explico: embora tenham sido tomadas medidas mais fortes visando cortes de custos, na prática a mais importante delas, que seria o polêmico motor-padrão, acabou não passando. E o resto, é preciso ser dito, não passa de perfumaria. Proibição de testes durante a temporada, por exemplo, parece indicar que quem tiver um carro mal nascido vai se dar mal e não poderá desenvolvê-lo. O mesmo aplica-se à limitação de uso de túnel de vento. Mas seria inocência demais acreditar nisso. As equipes – leia-se montadoras – darão um jeito.

O congelamento de motores imposto ao final de 2006, por exemplo, provou-se uma imensa farsa. Sob o pretexto de “melhorias de durabilidade”, novas especificações de materiais e peças eram enviados para a FIA durante os últimos anos e foram prontamente aceitas. Durante os dois anos de congelamento, os propulsores de Ferrari, BMW e Mercedes evoluíram espantosamente, enquanto Renault e Toyota ficaram para trás. Curiosamente, mesmo com alterações homologadas visando “apenas” durabilidade, os motores Ferrari quebraram diversas vezes nessa temporada. E, não por acaso, a FIA acaba de autorizar uma alteração nos V8 da Renault. E a Velhinha de Taubaté acreditou que os motores estavam de fato congelados…

Não há dúvidas de que a F1 precisa de um corte de custos, mas assim, no canetaço ou num acordo entre engravatados, ele não vai acontecer. Os custos só serão substancialmente reduzidos quando as montadoras resolverem enxugar as torneiras de vez. O que pode mesmo acontecer com a atual crise econômica global. Mas, enquanto houver uma delas ainda disposta a gastar os tubos, as que tiverem fôlego financeiro para tal vão continuar acompanhando.

E enquanto isso, através de uma “pesquisa de mercado”, o público vai decidir se a pontuação atual deve continuar ou se será adotado o sistema de medalhas. Assim como um “novo sistema de classificação”, que ninguém viu até agora, e uma diminuição no tempo das corridas serão postos a júri popular. Mais uma perfumaria que não vai passar.

A medida mais impactante – e surpreendente – de todas é a proibição do reabastecimento em 2010. Por essa ninguém e esperava e, isso sim, mudará a dinâmica das corridas a partir de então. O que será bom.

Para saber tudo o que mudou não mudando, confira esta lista elaborada pelo Becken Lima, no cada dia melhor F1 Around.

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.