Missão de Felipe Massa é difícil

Felipe Massa tem cinco pontos de desvantagem para Lewis Hamilton no mundial de pilotos, a duas provas do fim do campeonato. Duas vitórias bastam para que garanta o título, desde que o inglês não consiga ser segundo em ambas. Sob este prisma, a missão não parece tão difícil. Porém, na história da Fórmula 1, poucas [...]
 

Felipe Massa

Felipe Massa tem cinco pontos de desvantagem para Lewis Hamilton no mundial de pilotos, a duas provas do fim do campeonato. Duas vitórias bastam para que garanta o título, desde que o inglês não consiga ser segundo em ambas. Sob este prisma, a missão não parece tão difícil. Porém, na história da Fórmula 1, poucas vezes um piloto que estava atrás a duas provas do fim conseguiu virar o jogo e levar o título mundial.

Em 58 campeonatos disputados desde 1950, em apenas nove ocasiões o piloto que estava em segundo ou terceiro lugar faltando duas corridas conseguiu conquistar o título. Os protagonistas das viradas foram Juan Manuel Fangio (1956), Phil Hill (1961), John Surtees (1964), Emerson Fittipaldi (1974), James Hunt (1976), Nelson Piquet (1981 e 1983), Alain Prost (1986) e Kimi Raikkonen (2007).

Importante notar que circunstâncias especiais marcaram pelo menos duas destas viradas. Em 1961, Volfgang von Trips morreu em um acidente na prova final, em Monza, deixando o título no colo de Phil Hill. Em 1976, Niki Lauda sofreu um grave acidente em Nürburgring e ainda se recuperava quando da decisão do título, no Japão. O austríaco abdicou de disputar uma prova perigosa no Monte Fuji, debaixo de um aguaceiro, e Hunt terminou a temporada como campeão.

A curiosidade maior reside no fato de que, das nove vezes em que o líder perdeu o título a duas corridas do final, em cinco delas isso ocorreu para o terceiro e não para o segundo colocado. Em 1964, John Surtees estava quatro pontos atrás de Graham Hill e a dois de Jim Clark e, mesmo assim, terminou campeão. Como aconteceu com Emerson Fittipaldi dez anos depois, mas a vantagem era bem menor: Clay Regazzoni 46, Jody Scheckter 45 e Emerson 43. Piquet saiu da terceira posição para o título em 1983, ultrapassando Alain Prost e René Arnoux, o mesmo feito de Prost em 1986, batendo Nigel Mansell e Nelson Piquet. E a virada mais recente foi a de Kimi Raikkonen no ano passado, descontando 17 pontos nas últimas corridas, a maior virada da história. Baseado nesse retrospecto, Robert Kubica deve estar esfregando as mãos.

Resumo da história: se em nove casos, dois deveram-se a acidentes graves e cinco tiveram o terceiro colocado como campeão, em apenas duas ocasiões num intervalo de 58 anos o segundo colocado conseguiu terminar o ano campeão ao término de duas corridas em circunstâncias “normais”. Fangio em 1956, quando bateu Peter Collins com uma vitória e um quarto lugar, contando com um abandono do adversário, e Piquet em 1981, quando derrubou Carlos Reutemann com dois quintos lugares, ajudado por duas corridas ruins do argentino, que terminou fora da zona de pontos. Será Felipe Massa capaz?

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Quem é o autor?

Jornalista, 32 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Capelli não é o ex-piloto Ivan Capelli, apenas alguém que tem esse apelido. Embora mantenha este blog e colabore com o site Grande Prêmio, o jornalismo não é sua atividade profissional principal. Capelli trabalha como gerente em uma empresa de tecnologia.